Como calcular o % do CDI utilizando juro futuro

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Muitos investidores, ocasionalmente, se confundem no momento de converter uma taxa percentual do CDI para sua rentabilidade bruta final. Ou seja, qual é de fato a rentabilidade de um CDB cuja remuneração é de 120%CDI? Basta aplicar o percentual CDI oferecido pelo ativo em cima da taxa básica de juros – Selic – atual?

Na verdade, não é bem assim que funciona, uma vez que os papéis não renderão o CDI de hoje até o seu vencimento. Por isso é necessário ter um conhecimento razoável sobre a curva de juros até para comparar o retorno entre papéis pós-fixados e prefixados. O processo de seleção do indexador correto é fundamental para maximizar a relação risco vs. retorno na renda fixa.

Entendendo os juros futuros

Dito isto, vamos entender primeiro o que são os juros futuros.

De forma geral, o CDI é um título de prazo bastante curto, emitido e negociado apenas e diretamente entre os bancos.

Ele reflete os juros médios das operações no mercado interbancário, acompanhando de forma muito próxima à taxa Selic. Isso porque os próprios empréstimos entre bancos feitos por meio de CDIs também consideram a Selic como referência.

Portanto, embora as duas taxas não sejam idênticas, ambas seguem a mesma tendência e direção. Assim, as projeções feitas pelo mercado sobre a trajetória da Selic também são refletidas nas projeções do CDI.

Mercado antecipa fatos…

O mercado financeiro basicamente tenta antecipar os próximos movimentos do Banco Central, que é responsável por definir o nível da taxa básica de juros periodicamente.

Sendo assim, dependendo da mudança e das sinalizações do órgão de política monetária, o mercado pode realizar revisões nas projeções do CDI à frente. E a partir dessa premissa, é possível estimar também decisões futuras que o Banco Central irá tomar com base no cenário econômico que vivenciaremos naquele momento e, portanto, qual patamar a Selic alcançará naquele período.

A partir desta lógica, os agentes do mercado calculam diferentes níveis de Selic para o futuro a partir de suas próprias teses e convicções. Logo, uma vez que a remuneração dos ativos de renda fixa atrelados ao CDI acompanham a taxa básica de juros, sua rentabilidade futura também estará atrelada às estimativas do mercado.

Definindo a Estrutura Temporal da Taxa de Juros Prefixada (ETTJ PRE)

A curva de juros prefixada, também conhecida como Estrutura Temporal da Taxa de Juros Prefixada (ETTJ PRE), é a principal forma de acompanhar as expectativas do mercado para os juros à frente.

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Essa curva nada mais é do que uma representação gráfica que fornece um parâmetro sobre a remuneração esperada para aplicações de renda fixa, especificamente as prefixadas, para cada vencimento.

As taxas de cada prazo são formadas a partir das taxas de títulos públicos prefixados, contratos futuros de DI e de Swap DI Pré. Ou seja, além dos títulos públicos, o mercado utiliza derivativos para formar a curva de juros, já que não existem títulos públicos vencendo todos os dias. Dessa forma, é possível “simular” os vencimentos em qualquer data.

Para o investidor encontrar os diferentes níveis de taxa de juros para cada vencimento da ETTJ PRE, pode-se utilizar o sistema de “Fechamento da Curva de Juros” disponibilizado abertamente no site da ANBIMA, cujo sistema sempre disponibiliza as taxas de fechamento do dia anterior e dos últimos 5 dias uteis.

Aprendendo o cálculo

Tomemos por exemplo que o investidor queira entender qual remuneração teria, considerando os juros futuros do momento, num CDB que renda 120%CDI.

Imagine que o vencimento de 3 anos, de acordo com a ANBIMA, indica que a taxa de mercado para ativos prefixados é de 8,2%. Ou seja, a taxa incorpora as expectativas do mercado para a trajetória do CDI até esse respectivo vencimento.

Ao aplicar os 120% sobre o vencimento de 3 anos obtém-se uma taxa bruta final de 9,84% (120% x 8,2% = 9,84%). Essa taxa de 9,84% é a remuneração que o mercado paga hoje nesse CDB com vencimento em 3 anos (seja ele no indexador pré ou pós-fixado). Na teoria, não deveria haver diferença de retorno apenas pelo indexador. Afinal, o banco emissor e o prazo são exatamente os mesmos.

Imagine então que o mesmo banco esteja oferecendo um CDB para o mesmo prazo com uma remuneração de 9%. Visto que os 120% mencionados acima seria o equivalente a uma remuneração de 9,84% considerando os juros futuros, valeria a pena o investidor optar pela aplicação pós-fixada (%CDI) em comparação à prefixada.

Dessa forma é recomendável que o investidor considere no cálculo quais são os juros futuros projetados no momento da aplicação.

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Este material, disponibilizado sob demanda, consiste em breve resumo de cunho meramente informativo, não configurando consultoria, oferta, solicitação de oferta, ou recomendação para a compra ou venda de qualquer investimento ou produto específico. Este podcast não tem relação com objetivos específicos de investimentos, situação financeira ou necessidade particular de qualquer destinatário específico, não devendo servir como única fonte de informações no processo decisório do investidor que, antes de decidir, deverá realizar, preferencialmente com a ajuda de um profissional devidamente qualificado, uma avaliação minuciosa do produto e respectivos riscos face a seus objetivos pessoais e à sua tolerância a risco (Suitability).

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