Entenda a crise na China

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Nas últimas semanas, o humor dos investidores nos mercados financeiros internacionais piorou por conta de um potencial colapso de uma incorporadora de imóveis chinesa chamada Evergrande, que chegou a ser a mais valiosa do mundo anos atrás.

O temor de calote da rolagem da dívida da construtora, estimada na ordem de mais de 300 bilhões de dólares, a tornou uma das empresas mais endividadas do planeta. E entre julho de 2020 até hoje, o preço de sua ação caiu mais de 90%.

No caso da Evergrande, existem dívidas com bancos, fornecedores, pessoas que compraram imóveis e não receberam etc., cuja dívida supera o valor da empresa, dos imóveis que possui e todos os seus ativos.

Embora a comparação com a quebra do Lehman Brothers já tenha circulado o mercado, a exposição do sistema financeiro global (americano, europeu e japonês) ao setor imobiliário chinês é mais tímida na comparação com o evento de 2008. O efeito contágio para o mercado ocidental existe, porém é mais controlado.

Mas e como uma crise na China pode atingir a nossa economia e por consequência os investimentos? E o que tem ocorrido no território chinês se trata então de uma bolha imobiliária?

Bolhas imobiliárias

Há tempos se especulam sobre uma possível bolha imobiliária na China e que ela estaria sendo desinflada pelo governo. A fórmula para a criação de “bolhas imobiliárias” é conhecida por todos nós. Ou seja, o governo adota medidas com o objetivo de estimular a construção civil oferecendo crédito barato e fácil para qualquer cidadão que queira construir ou comprar imóveis através de dívidas.

Assim, empresas e pessoas se endividam ao máximo para a compra de imóveis prontos. Como efeito disto, os preços disparam e muitos acabam adquirindo imóveis que ainda não existem (como na planta) por preços cada vez mais elevados.

Em certos momentos, no caso das bolhas imobiliárias, existem mais imóveis do que pessoas que podem adquiri-los, uma vez que já estão superendividados. Dessa forma, como já dito acima, um mercado superaquecido inflaciona os imóveis e muitas pessoas fazem dívidas gigantes.

O problema é que o desaquecimento do mercado junto com uma possível alta nos juros faz com que o comprador entre numa armadilha: possuir uma alta dívida e um imóvel que não se valoriza antes ou perde valor.

Vale lembrar que um dos investimentos preferidos do povo chinês é o mercado imobiliário – compra de terras e imóveis. Isto é, um estouro de uma bolha imobiliária com a quebra de uma construtora como a Evergrande e a desvalorização generalizada dos imóveis pode resultar em empobrecimento de milhares de famílias chinesas.

Fora isso, não existem setores como o imobiliário e de construção sem o envolvimento dos bancos que garantem os empréstimos para quem constrói e compra imóveis.

A demanda chinesa por commodities

Porém não estamos falando apenas dos chineses, mas sim, com consequências no mundo inteiro. O setor imobiliário e de construção civil, juntos, respondem por 16% da economia chinesa e que por sua vez, é a segunda maior economia do mundo.

Além disso, a China é o país que demanda mais da metade de todo o cimento do mundo e praticamente a metade de todo o ferro, cobre, alumínio, carvão e diversas outras commodities produzidas por vários países.

Quando os chineses facilitam o acesso ao mercado local com o “dinheiro novo” por meio de juros baixos, empréstimos, subsídios, …, não é apenas a economia da China que é artificialmente estimulada, mas sim, todas as economias do globo.

Inclusive o Brasil está entre os maiores produtores do mundo e assim, os investidores estrangeiros nos enxergam como um dos mais impactados por uma desaceleração chinesa.

Ou seja, o preço de todas as commodities aumentam quando a China cresce e demanda mais alimentos. E a consequência disso é positiva, dado que beneficia empresas brasileiras que ganham exportando esses produtos.

A lição que aprendemos com os “Cisnes Negros” do mercado

O mercado diante de um fato novo tende a se desesperar e o trata como um “Cisne Negro” da Bolsa. De um lado encontramos investidores que irão de acordo com o efeito manada e que preferem vender seus ativos a qualquer preço antes de apurar os fatos.

Por outro lado, há o investidor de “Value Investing” que se mantém calmo e não se aflige muito com as oscilações de curto prazo. Aliás, aproveita os momentos críticos para encontrar oportunidades de investimento.

Importante ressaltar que o investidor precisa ficar ciente de que a melhor forma é não reagir os mercados com emoção. Afinal os erros se repetem criando um ciclo de bolhas, crises, guerras.

Por isso é importante o investidor sempre construir uma carteira de investimentos preparada para enfrentar instabilidades internas e externa. Assim não deixe de contar com seu assessor de investimentos da One Investimentos.

Este material, disponibilizado sob demanda, consiste em breve resumo de cunho meramente informativo, não configurando consultoria, oferta, solicitação de oferta, ou recomendação para a compra ou venda de qualquer investimento ou produto específico. Este podcast não tem relação com objetivos específicos de investimentos, situação financeira ou necessidade particular de qualquer destinatário específico, não devendo servir como única fonte de informações no processo decisório do investidor que, antes de decidir, deverá realizar, preferencialmente com a ajuda de um profissional devidamente qualificado, uma avaliação minuciosa do produto e respectivos riscos face a seus objetivos pessoais e à sua tolerância a risco (Suitability).

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