Juros Longos: como eles influenciam a decisão de investimento

5 minutos para ler

Provavelmente você já deve ter ouvido falar que nos últimos tempos os juros futuros longos fecharam em alta devido à alguns acontecimentos, seja por piora na percepção de risco fiscal ou até mesmo por pressão dos Treasuries – Títulos Públicos Americanos.

Em geral, ter juros futuros em alta no Brasil e no exterior caracterizam uma maior percepção de risco ou uma piora na expectativa sobre o futuro como: inflação e dólar em alta, além de um aumento da taxa Selic com o intuito de combater o impacto inflacionário e a desvalorização da moeda.

Porém qual a relação das taxas de juros longas com os títulos públicos, privados e a bolsa de valores?

Entendendo o prêmio

Vale dizer que o juro será um tipo de prêmio que o investidor receberá pelo risco de ficar sem seu recurso durante um determinado tempo. Este sempre buscará pelo maior prêmio e menor risco dentro das suas expectativas sobre o futuro.

Existem investimentos dos mais variados tipos de risco e prêmios pagos na forma de juros, ganho de capital (valorização), etc.

Eventos políticos e econômicos alteram as percepções dos investidores sobre os riscos, modificando a demanda pelos ativos e que consequentemente mudam os juros, ações, títulos, fundos imobiliários etc.

Investimento com o menor risco

Pode-se dizer que os investimentos menos arriscados, na moeda de um país, são os títulos da dívida pública. Por sua vez, os títulos públicos com juros pós-fixados são os menos arrojados e consequentemente possuem os menores juros.

Quando o investidor aplica por um prazo maior, é necessário olhar para os juros pré-fixados. Os títulos que remuneram uma taxa fixa ou taxa fixa + inflação, possuem vencimentos longos e quanto mais longa a data do vencimento, maior será o prêmio pelo risco.

Dito isto, outros investimentos considerados mais arriscados que os comentados, necessitam pagar maiores prêmios que compensam este risco adicional.

No momento em que as taxas de juros dos títulos públicos de um país sobem, isso obriga o investidor a analisar se os investimentos de maiores riscos ainda valem a pena. Isso inclui, ainda, as taxas de juros futuros, que modificam os preços e taxas de pré-fixados com vencimentos mais longos.

Os juros de outros países também afetam os juros do Brasil. E se tratando dos países desenvolvidos, estes são os investimentos de menor risco ou mais próximo de zero. Ou seja, é mais seguro para o investidor emprestar seus recursos para a maior economia do mundo com o poder de imprimir dólares em comparação a outros países como Brasil, Argentina, México etc.

Powered by Rock Convert

Assim sendo, é compreensível que os países emergentes ofereçam juros maiores que compensem o risco adicional.

Porém, o que ocorre quando um país com um menor risco em títulos do governo começa a oferecer juros cada vez maiores?

A procura por títulos mais arriscados começa a cair e assim, quando a demanda cai, o preço dos títulos públicos também cai e os juros a serem remunerados sobem.

Inclusive investidores de renda variável passam a exigir mais dividendos e maiores ganhos para adquirir ações ou manter as que possuem.

Em suma, os preços das ações e de investimentos de renda variável são diretamente afetados quando há alterações na trajetória dos juros. Isto quer dizer que, juros em baixa, resulta em alta nas ações, fundos imobiliários, ouro e outros investimentos especulativos. Já juros em alta, tende a levar as ações em baixa, principalmente aquelas que dependem de juros baixos para se manterem atrativas.

Alta dos juros futuros no Brasil

Cada país possui uma taxa básica de juros que é definida pelos Bancos Centrais. No Brasil, é a taxa Selic que define qual será a remuneração dos investimentos pós-fixados (poupança, Tesouro Selic, CDB etc.).

Em relação à essa taxa básica existem prêmios que vão determinar os juros futuros, definidas por negociações de contratos futuros de juros como ocorre na B3 e que encontramos em investimentos pré-fixados como o Tesouro Prefixado ou os atrelados ao IPCA como o Tesouro IPCA.

Dizemos que são essas taxas que espelharão nos preços dos títulos mencionados acima, bem como, os emitidos por outras instituições financeiras como os bancos. Inclusive são essas taxas futuras que refletem nos empréstimos seja para Pessoas Físicas ou Jurídicas, nos cálculos que especialistas realizam quando consideram recomendar a compra/venda ou manutenção de ações, fundos imobiliários, etc.

Tomando como exemplo o contrato futuro de juros (DI) com vencimento em 2026. Essa taxa afetará os preços de todos os títulos pré-fixados e até nos preços que os investidores estão dispostos a aceitar nos ativos de renda variável com alvo no ano de 2026.

De forma geral, essa taxa seria o prêmio que o mercado exige hoje, diante das expectativas e riscos em relação ao futuro. Isto é, quanto mais o futuro parece incerto, maior tende a ser o juro futuro.

Em síntese, juros futuros em alta no Brasil e exterior significam uma maior percepção de risco ou uma pior expectativa sobre o futuro. O inverso também é verdadeiro.

Assim, é recomendável que o investidor acompanhe o comportamento dos juros futuros no Brasil e nos EUA antes de tomar qualquer decisão de investimento, uma vez que obterá maior sensibilidade sobre as perspectivas para o futuro. Por isso muito importante contar com o auxílio de seu assessor de investimentos para uma escolha consciente.

Powered by Rock Convert
Você também pode gostar

Deixe um comentário